
A cozinha das nossas avós será o local
perfeito para voarmos mais alto e saltarmos para trás no tempo, fazendo-nos sentir
novamente crianças, numa altura em que a televisão era ainda a preto e branco,
quando existia, ou dos candeeiros a petróleo, em que na rua, só as estrelas é
que iluminavam a madrugada já esguia e escura.
As panelas em ferro transformavam os
próprios cozinhados num autêntico banquete dos deuses, para o qual também o fogão
a lenha ajudava a crepitar o verdadeiro sabor dos alimentos.
Estes, por sua vez, tinham sido até
apanhados momentos antes de serem cuidadosamente preparados para um saudoso
prato de bacalhau, por exemplo, depois de uma calorosa canja de galinha, sei
lá, cuja galinha também fora atenciosamente criada ao ar livre, esgravatando o
chão térreo, pelo meio das árvores de fruto ou de outros animais domésticos criados
à solta.
